Aprendemos a conversar!

APRENDEMOS A CONVERSAR!

Existem inúmeras técnicas, ferramentas, estudos e teorias sobre comunicação, sobre a forma de se comunicar.

Comunicar, realmente, não é algo simples de se realizar. O ato em si, que significa a transmissão da ideia que está em minha mente para a sua mente, é complexo.

Como enviar exatamente aquele pensamento para você, do modo como eu o estou pensando, da forma como o tenho em minha mente e com a riqueza de detalhes que o compõem, exige muita atenção, esforço e dedicação. E mesmo assim, muitas vezes, ocorrem muitos equívocos de comunicação e de interpretação. Quem nunca disse: “não foi isso que eu queria dizer?” E quem nunca falou: “mas não foi isso que eu queria dizer..”?

Na atual quarentena que estamos todos vivendo hoje, a forma de comunicação presencial foi praticamente abolida. Temos que manter o afastamento social para preservar a nossa saúde e, por isso, não temos mais, na comunicação, todos os canais presentes. Não podemos mais “sentir” a pessoa com quem estamos nos comunicando, pois não estamos com ela no mesmo ambiente.

Consequentemente, fomos todos “empurrados” para o ambiente virtual. Se quisermos “estar presentes” com alguém, com algum parente querido, com algum amigo que nos faz falta, atualmente, temos que nos ver por vídeos, por conference calls, por reuniões virtuais, enfim, por qualquer meio tecnológico cuja interface é, necessariamente, o vídeo.

Com esta experiência e, especialmente, analisando esta experiência, pudemos perceber, agora com muito mais exemplos concretos, a dinâmica de como as conversas via vídeo, as conversas sem a presença real no mesmo ambiente físico desenvolvem-se de forma muito mais educada, de forma muito mais respeitosa.

Percebemos que, com o não estamos no mesmo espaço físico e, consequentemente, não estamos percebendo e recebendo todas as informações corporais da pessoa com quem estamos conversando, nossa atenção no conteúdo que a outra pessoa está emitindo é muito maior, é muito mais focado. Temos que ter atenção total na imagem e no som que recebemos, pois estamos privados dos outros canais sensoriais de comunicação. O foco na conversação, portanto, é muito maior, muito mais atento.

Ainda analisando a dinâmica de como estas conversas em vídeo se desenvolvem, percebemos também um maior “respeito” ao escutar aquele que está falando. As interrupções da fala do outro são bem menos frequentes (temos que ter maior foco, e, portanto, as interrupções são menores) e, estas interrupções, quando acontecem, geralmente são precedidas de pedidos de licença para falar. Em outras palavras, parece que a comunicação, o diálogo estabelecido por meio de vídeo, à distância, é mais educado. Parece que nos respeitamos mais quando conversamos em vídeo. Parece que, ao menos em vídeo, aprendemos a conversar.

É incrível como esta dinâmica de respeito que ocorre em conversas à distância em vídeo não acontece com a mesma frequência quando as conversas são realizadas presencialmente.

Certa vez tivemos um cliente que tinha baixa qualidade de comunicação porque ele tinha “desistido” de se expressar. E o que tinha acontecido com ele?

Na visão dele, as pessoas eram desrespeitosas nas conversas. Ninguém esperava o outro terminar seu raciocínio para expressar o seu próprio. Havia interrupções nos diálogos com mudanças de temas antes que o tema anterior tivesse se esgotado ou que todos que quisessem expressar-se tivessem podido expor sua opinião, sua fala. Desta forma, este cliente “desistia” de falar, ele desistia de se fazer ouvir e, com isso, ele tinha cada vez menor expressão de comunicação nos ambientes sociais.

E, por consequência, seu círculo de amizades foi diminuindo e a solidão foi aumentando. Tudo isto porque a comunicação não se estabelecia de forma produtiva nas conversas que ele “tentava” estabelecer.

Por vídeo, escutamos, esperamos o outro terminar de falar, estamos atentos.

Presencialmente, interrompemos, atropelamos a fala do outro, não respeitamos.

E então… quando esta pandemia tiver passado, quando tudo já estiver resolvido, como será que nos comunicaremos pessoalmente? Com o respeito que temos quando conversamos por vídeo ou com os usuais “desrespeitos” presenciais?

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